Cultura Japonesa: Livro ilustrado dos Monstros e a Raposa
- 4 de jun. de 2017
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As fábulas e lendas fazem há muito parte do folclore ocidental. Desde pequenos ouvimos lendas e fábulas que de história em história ajudam a formular o nosso carácter e funcionam como modelador de ações. Quase sempre a retratar situações que contêm uma moral ou um ensinamento, elas acompanham a nossa formação e evolução de intelecto, e com a mesma simplicidade tornam-se complexas e instrutivas. No entanto estas fábulas e lendas não são exclusivas do tradicionalismo ocidental, pautam também o imaginário Oriental, e é sobre esse imaginário que se formula este artigo.
Alargando os «biombos ocidentais» estas linhas partem de um estudo em torno do livro japonês do século XIX Kaibutsu Ehon ou O livro ilustrado dos monstros. Este livro contém vários monstros do folclore japonês, e acredita-se que tenha sido concebido para ser um livro de histórias para crianças, um pouco à semelhança do que acontece com as fábulas ocidentais. Do seu autor pouco se sabe, assim como do próprio livro, ainda assim é um livro rico em termos visuais, onde podemos facilmente apreciar a arte japonesa e a estética própria dessa época.

Este livro contém variadas fábulas e lendas, mas para estas linhas interessa fundamentalmente a figura da raposa, e a mitologia que em torno dela se desenvolve. Assim como na maioria das fabulas ocidentais, a raposa é representada no Japão como símbolo de inteligência, sabedoria e, de acordo com relatos contidos em várias lendas a seu respeito, são animais com poderes mágicos (místicos), sagrados ou amaldiçoados.
Em japonês raposa começou por ser denominada em tempos antigos por Kyuubi-No-Kitsune Kitsune, surgindo da onomatopeia do “kitsu”, que significa “o ganido da raposa”. Hoje em dia, os japoneses usam “kon-kon” ou “gon-gon” para designar a raposa, já que a onomatopeia “kitsu” acabou no desuso.
A kitsune é uma das personagens mais populares da mitologia japonesa, povoando diversas lendas. Quanto à sua origem, não há uma certeza, no entanto, alguns registros relatam que, a partir do século IV d.C, a convivência das raposas com os humanos no arquipélago japonês era corriqueira, e esse facto pode estar relacionado com a origem das lendas sobre a kitsune. Entretanto, as histórias que envolviam as kitsunes tornam-se amplamente relatadas em dois registros antigos: “Kojiki” (a mais antiga crônica do Japão, compilado em 712 d.C. (“Registro das Coisas Antigas”) e “Nihongi” (também chamado de “Nihon Shoki” e “Hihongi”), este segundo registro representa as “Crônicas do Japão”, compilado em 720 d.C. e contém parte da história “real” do Japão.

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